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Maio 24, 2022

Não Estavam Ardendo os Nossos Corações?

Compilação

[Did Not Our Hearts Burn?]

“Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles. Perguntaram-se um ao outro: ‘Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?’”—Lucas 24:31–32[1]

É um dos episódios mais comoventes da Bíblia. Nas horas após a ressurreição, um par de discípulos caminhava por uma estrada fora de Jerusalém. Eles ainda estavam chocados com a crucificação. Um estranho veio ao seu lado enquanto estavam a caminho e começaram a conversar. Por Suas próprias razões, Deus os impediu de reconhecer que o estranho era Jesus. Quando Ele finalmente lhes revelou Sua identidade, enquanto dividiam uma refeição, logo desapareceu. E então eles se fizeram a pergunta retórica: “Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho?” É claro que sim! O Cristo ressuscitado estava falando com eles e caminhando com eles.

Sempre fico emocionado quando leio o relato em Lucas 24:13–35. Talvez seja tão especial porque eu me imagino no lugar deles. Penso em como seria fantástico se isso acontecesse. — Passear junto com Jesus, ouvi-lO dizer-me coisas, sentir que o que estou ouvindo é de outro mundo, mas não saber por que, e não saber que é Jesus até depois de Ele ter partido. Com certeza seria a maior surpresa misturada com constrangimento de todos os tempos. Como não percebemos?!

Na verdade, o relato nos indica a realidade de como devemos viver nossas vidas como crentes e que devemos ter a certeza de que Jesus caminha conosco e fala conosco em nossa jornada. É fantástico pensar nisso!

Devemos ter a certeza de quem Ele é, o que Ele fez e nos ensinou. Devemos ter essa certeza por causa de Sua presença, o que sabemos sobre Sua missão de redenção, o que lemos na Palavra de Deus, o que vemos de Seu poder e trabalho na vida das pessoas ao nosso redor. Não há dúvida de que Ele está bem ali conosco a cada passo do caminho.—Todd Dugard[2]

Estávamos esperando

Os dois discípulos no caminho de Emaús estavam tendo um dia muito difícil. Eles faziam parte do “grupo”, os seguidores de Jesus, e vinham de Jerusalém após a crucificação. Foi terrível. Agora, três dias depois, havia rumores de que Seu corpo havia desaparecido. Algumas das mulheres de seu grupo e alguns dos apóstolos tinham saído para procurar, e era verdade. O que tudo isso significa?

Eles estavam tão dominados pela dor, decepção e confusão que não reconheceram Jesus quando Ele os alcançou no caminho. Ele lhes perguntou o que estava errado. “Eles pararam, com os rostos entristecidos.” Em sua decepção e desespero, nem olharam para Ele de perto. Queriam apenas contar-Lhe a história de sua dor. “Nós esperávamos”, disseram eles. …

Tantas vezes em nossas vidas, ficamos presos em nossas mágoas e não reconhecemos Jesus ali ao nosso lado. Nós esperávamos” ... quem dera que nossas vidas não fossem tão confusas. Ao invés disso, nossos entes queridos estão doentes; nosso casamento não é o que esperávamos; ou talvez nossos filhos nos decepcionaram. Nós ou alguém que amamos luta contra um vício.

Contam-Lhe suas histórias, e algo em Jesus os atrai: Seu calor, Sua compreensão. Ele lhes conta sobre o servo sofredor de Israel. Ele diz que o sofrimento é parte da história. Ele toca seus corações quando eles começam a ver as Escrituras de uma nova forma, embora não façam a conexão completa.

Quando chega a hora de se separarem no caminho, eles O incitam a ficar com eles. ... Quando se reúnem em torno da mesa para o jantar, há afeição e oração, e então Jesus pega o pão de costume, abençoa-o e o parte. E ambos entendem ao mesmo tempo. Jesus! De repente, tudo faz sentido e Jesus está aqui!

Ele então desvanece. Espantados, os dois amigos se entreolham por sobre a mesa. “Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto ele nos falava no caminho?” Eles o haviam sentido, mas não O haviam reconhecido. Agora, as Escrituras e este partir do pão fazem sentido em seus corações. …

Os dois discípulos, reconhecendo aquele ardor em seus corações, “voltaram imediatamente” apesar dos perigos das viagens noturnas. Desta vez eles provavelmente não caminharam abatidos, mas correram, rindo e se abraçando pelo caminho ao perceberem o que havia acontecido. Eles agora espalhavam as boas novas. …

Jesus desvaneceu da mesa em Emaús, mas Ele permaneceu com os discípulos e seus corações ardiam. Ele permanece presente conosco. ... Se abrirmos nosso coração e o sentirmos arder, nos tornamos discípulos, correndo com alegria para espalhar as boas novas de Seu amor e misericórdia.—Creighton’s Online Ministries[3]

Abrindo as Escrituras

Antes da ressurreição, os discípulos não entendiam completamente o que Jesus lhes dizia sobre morte e ressurreição. No entanto, durante os quarenta dias que passou com eles depois que Se levantou dos mortos e antes de subir aos céus, Jesus lhes explicou as Escrituras, as quais passaram então a entender.[4]

“E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dEle se falava em todas as Escrituras... E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?”[5]

Por entenderem que, pela vida, morte e ressurreição de Jesus a salvação estava disponível a todos, os apóstolos pregaram sobre o Cristo ressuscitado, como lemos em todo o Livro dos Atos. Foi por isso que os autores do Novo Testamento escreveram sobre a importância da ressurreição, declarando que ela provava que Jesus era o Filho de Deus, que somos nascidos de novo, que temos a garantia da nossa salvação e que, sem isso, a nossa fé seria vã.

“[Jesus foi] declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos.”[6] “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.”[7]

A ressurreição provou que Deus verdadeiramente viera ao mundo de uma nova maneira, por meio do Seu Filho Encarnado. Cinquenta dias depois, quando Jesus já havia ascendido aos céus, o Espírito Santo se manifestou no mundo também de uma nova maneira, passando a habitar entre os crentes. Esses eventos motivaram os discípulos e a igreja primitiva a divulgar essa notícia por todo o mundo conhecido na época. Espalharam a boa nova de que, por meio de Jesus e do Seu sacrifício na cruz, a humanidade podia se reconciliar com Deus.—Peter Amsterdam

A verdade de Deus em nossos corações

É extremamente importante notar que apenas ter o conhecimento destas verdades vitais não é suficiente. Assim como os dois discípulos [no caminho de Emaús] sentiram o intenso fogo de motivação em relação ao que ouviram e vivenciaram, nós também devemos ter a verdade de Deus ardendo em nossos corações!

Os ensinamentos da Bíblia e nossa relação íntima com nosso Criador devem ser nossa paixão e força motriz. Ou seja, devemos agir diariamente para colocar em prática prioridades espirituais de Deus—buscando primeiro o Reino de Deus e Sua justiça.[8]

Então, a pergunta é: Nossos corações estão em chamas para Deus e Sua verdade? Estamos realmente seguindo a admoestação de Deuteronômio 4:29: “Buscarás ao Senhor , teu Deus,... de todo o teu coração e de toda a tua alma”?

Embora você e eu não tenhamos Jesus Cristo em carne e osso hoje conosco, como os discípulos tinham na época, podemos nos comunicar diretamente com Ele e com nosso Pai celestial através da oração. Além disso, temos Jesus na forma da Bíblia Sagrada.[9] E de maneira semelhante a como Ele abriu as Escrituras aos discípulos, nosso entendimento foi aberto para podermos compreendê-la com profundidade. …

Os dois discípulos no caminho de Emaús tiveram os olhos completamente abertos para o fato de que o “estranho” com eles na realidade era Jesus Cristo, e Seus ensinamentos eram totalmente confiáveis. As palavras e ações entusiasmadas desses discípulos após esse memorável entendimento, também deveriam ser nossas ao longo de nossa jornada cristã. De fato, com a poderosa ajuda de Deus, façamos com que nossos corações ardam dentro de nós!—John LaBissoniere[10]

Publicado no Âncora em maio de 2022.