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Fevereiro 24, 2016

Sempre Presente

Steve Hearts

[Ever Present]

Durante os momentos especialmente difíceis de vida, quando o caminho é nebuloso e incerto, quando nos encontramos em circunstâncias dolorosas ou simplesmente indesejáveis, a presença de Deus muitas vezes pode ser obscura e até mesmo absolutamente invisível. Em momentos assim, é fácil pensar que Ele nos abandonou e nos deixou para nos virarmos sozinhos.

Esse era o meu estado de espírito quando me deitei para dormir certa noite. Eu estava passando por um momento de turbulência emocional, como resultado da grande mudança que está ocorrendo na minha vida. Meu coração e alma foram envoltos em uma névoa espessa e opressiva que se recusou a se dissipar—sem mencionar a luta que muitas vezes acompanha esse tipo de mudança que eu estava enfrentando, que envolvia eu abrir mão de algo. Senti como se Deus tivesse me deixado de fora no frio para lidar com esta crise sozinho.

Em um esforço para encontrar alívio, eu tinha colocado meu laptop reproduzir alguns Salmos em áudio. Eu estava prestes a fechar o áudio e desligar o laptop quando ouvi as primeiras frases do Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”[1] O que aconteceu em seguida me tomará um momento para conseguir descrever de forma adequada, apesar de ter acontecido em questão de segundos. Foi uma breve mas clara troca entre o Senhor e eu. Eu Lhe comuniquei mentalmente os meus sentimentos, e Sua resposta foi claramente ouvida na minha cabeça.

“Você? Um socorro bem presente na angústia?” Disse minha mente frustrada e desafiadora. “Aqui estou eu lutando para sobreviver a esta situação dolorosa, e sua ‘presença’ está longe de ser vista. Você me abandonou e me deixou me virando sozinho.”

A voz do Senhor soou gentilmente em meus pensamentos, sem o menor sinal de frustração ou raiva: “Você está achando que a expressão ‘bem presente’ significa ‘muito perceptível’, quando na realidade estas duas frases não têm nenhuma semelhança. Só porque Minha presença não é percebida por você, ou a Minha voz parece silenciosa, isso não significa que não estou ao seu lado.”

Ele então tratou desse ponto com uma pergunta: “Só porque os passageiros de um avião são incapazes de ver o piloto, isso diminui de alguma forma o fato de que ele está presente?”

Eu tinha viajado de avião mais do que suficiente para ter certeza de que a resposta era um inequívoco não. A cabine do piloto fica sempre bem fechada e trancada, de modo que o piloto permanece invisível para os passageiros. Ele se comunica com eles através do intercomunicador, mantendo-os informados de decolagens, pousos, condições climáticas, o progresso de sua jornada, o tempo estimado de chegada, etc.

O Senhor então me perguntou: “Você é capaz de recordar de todas as vezes que viajou de avião, de alguma vez em que você, ou qualquer um dos seus companheiros de viagem, duvidaram da presença do piloto a bordo da aeronave, só porque não o podiam ver?”

“Não”, respondi novamente.

“Então,” Ele continuou: “Por que duvida da Minha presença em sua vida, só porque nem sempre pode notá-la?”

Mais uma vez, a sabedoria de Deus, amorosa, gentil e simples ganhou das minhas tentativas de desafiá-lO e provar que eu era mais sábio do que Ele. A névoa opressiva se dissipou quando abri meu coração para o conhecimento de que Ele está de fato presente, independente do que as circunstâncias ou outras vozes possam me dizer. Ele, em Seu amor, me deu a capacidade de me conectar com Ele e ouvir Sua voz no meu coração a qualquer momento. Ele está constantemente falando comigo, assim como um piloto fala com seus passageiros pelo interfone. Eu não tenho nenhuma razão para duvidar de Sua presença, nem mesmo por um momento.

Eu percebi que precisava ser como Moisés que, como diz Paulo, “ficou firme, como quem vê Aquele que é invisível”[2] Pensei em como os seguidores de Jesus devem ter se sentido assim que Ele lhes disse que ia voltar para a casa de Seu Pai. Uma vez que eles tinham se acostumado à Sua presença física, devem ter sentido como se Ele os estivesse abandonando e deixando a ver navios. Mas Ele não só prometeu lhes enviar o Consolador—o Espírito Santo—mas também prometeu: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”[3] Não importava que eles já não podiam ver ou sentir Sua presença física.

E, a propósito, Ele não está menos presente comigo ou com qualquer um de nós hoje. Eu só preciso ter fé e acreditar, independente de notá-lO ou não perto de mim. Por que outra razão o apóstolo Paulo teria se referido a fé como “a prova das coisas que se não veem?”[4]

Pensei nos três jovens hebreus no livro de Daniel que se recusaram a adorar os ídolos, mesmo sabendo muito bem que isso poderia colocar suas vidas em risco. Deus poderia tê-los livrado de alguma forma milagrosa para não terem que passar pelo fogo, para começar, e tenho certeza que eles esperavam que Ele fizesse algo assim. Mas, mesmo quando havia libertação imediata à visto no horizonte, e o fornalha foi aquecida sete vezes mais e foram jogados lá dentro, eles não ralharam com Deus por tê-los abandonado. Em vez disso, eles confiaram que, independentemente das circunstâncias, Ele estava realmente presente, e continuaria a estar, mesmo em face da própria morte. Só então a sua fé foi recompensada, e a presença de Deus se tornou visível, não só para eles, mas para os perseguidores também. E eles saíram das chamas ilesos.[5]

Finalmente consegui descansar de verdade nos braços de Jesus naquela noite, sem duvidar mais da Sua presença. Eu posso nem sempre sentir ou perceber Sua presença, mas Ele está comigo do mesmo jeito.


[1] Salmo 46:1.

[2] Hebreus 11:27.

[3] Mateus 28:20, NVI.

[4] Hebreus 11:1.

[5] Ver Daniel 3.