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Janeiro 4, 2022

A Alegria do Senhor—Nossa Esperança e Força

Peter Amsterdam

[The Joy of the Lord—Our Hope and Strength]

Apesar de Jesus ter Se referido de forma específica a alegria duas vezes nos Evangelhos[1], ela permeava os acontecimentos de Sua vida e doutrina. Encontramos também menções e exemplos de alegria em ambos os Testamentos. Existem sete palavras gregas usadas no Novo Testamento que se referem a gozo intenso, alegria e regozijo. Essas palavras aparecem 72 vezes nos Evangelhos e 101 vezes em outras partes do Novo Testamento.

Aprendemos que o reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo, elementos que devem estar presentes em nosso serviço a Ele, para que sejamos aceitáveis a Deus.[2] Na lista de frutos do Espírito[3], a alegria vem logo após o amor. A alegria é obviamente para uma vida espelhada em Cristo. Mas exatamente, de que alegria está falando aqui?

De um modo geral, alegria e felicidade são palavras consideradas sinônimas. Entretanto, os termos em grego usados no Novo Testamento traduzidos para alegria e felicidade não têm significados tão próximos. As palavras que expressam o conceito de felicidade não aparecem com tanta frequência no Novo Testamento. Um autor explica:

A maioria dos estudiosos do cristianismo parece entender que, no Novo Testamento, alegria era mais do que um sentimento de felicidade ou um júbilo extravasante, apesar de que a expressão pode ter esse significado também. A alegria nas Escrituras é uma atitude em relação à vida que entende e aceita o mundo com serenidade, com o olhar confiante de uma vida enraizada na fé, na percepção clara e na confiança no Deus soberano que Se revelou em Jesus Cristo, na Sua morte e na Sua ressurreição.[4]

Os cristãos podem ter essa serenidade, esse olhar confiante de uma vida enraizada na fé e a percepção clara e na confiança no Deus soberano. Qual é a base para essa alegria? Ela tem origem na salvação, no fato de nossos nomes estarem escritos no Céu.

Quando os 70 discípulos voltaram com alegria de suas missões às quais foram por Jesus enviados, de dois a dois, comemoravam: “Senhor, pelo Teu nome, até os demônios se nos submetem!” Jesus respondeu: “Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.”[5] Temos alegria e nos regozijamos porque temos a esperança de uma herança eterna.

Podemos nos alegrar porque vemos longe, certos de que apesar das dificuldades e percalços nesta vida, viveremos com Deus para sempre. Em Jesus encontramos um exemplo de olhar além das provações desta vida para o que a eternidade reserva, “o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.”[6]

Temos alegria por causa da presença de Deus em nossas vidas. Quando lemos sobre a presença de Deus encarnado —Jesus, Filho de Deus, que veio para a Terra — encontramos uma narrativa repleta de alegria. Quando Isabel ouviu a voz de Maria, a criança em seu ventre, João Batista, pulou de alegria[7]; na noite em que Jesus nasceu o anjo apareceu aos pastores anunciando a chegada do Senhor e proclamou “Eu vos trago novas de grande alegria, que o será para todo o povo”[8]; e quando os sábios viram a estrela, “alegraram-se imensamente”[9] A presença de Deus traz alegria para os que nEle creem.

A presença de Deus se torna parte de nossas vidas conforme nos enchemos com o Espírito Santo, o qual as Escrituras relacionam à alegria. “Os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo”[10]; “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa crença, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo.”[11]

Somos instruídos a ter alegria no Senhor e que os crentes devem ser regozijar. “O justo se alegra no Senhor, e nele se refugia; cantem louvores todos os retos de coração!”[12]; “A esperança dos justos é a alegria.”[13] Adorar e louvar o Senhor evoca alegria desde o nosso íntimo. “Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria.”[14]

Nossa alegria está fundamentada em nossa fé do que as Escrituras nos ensinam: Deus é nosso Criador; apesar de a humanidade estar separada dEle por conta de nossos pecados, Ele criou um caminho para nos reconciliarmos com Ele por meio do sacrifício final de Jesus e pelo perdão de nossos pecados; por essa reconciliação iniciamos um relacionamento com Ele, Seu Espírito habita em nós e essa relação perdura pela eternidade.

Nossa fé e profunda confiança em Suas promessas de salvação, reconciliação, da presença do Espírito Santo e do fruto maior da salvação —eternidade com Deus— nos ajudam a ter paz de espírito e uma perspectiva confiante. Nossas crenças geram esperança, uma expectativa de benefícios futuros e nos permitem viver em alegria.[15]

A alegria é uma resposta a Deus em nossas vidas — pelas Suas bênçãos, presença, promessas; pela relação que temos com Ele; por sermos Seus filhos. É uma resposta a quem Ele é e Seu envolvimento em nossas vidas, ao Seu amor. Quando estamos gratos pelo que Deus fez por nós, quando nos concentramos na Sua bondade, amor, desvelo e ficamos satisfeitos com Suas bênçãos, então temos motivo para nos alegrarmos. A gratidão pelas bênçãos de Deus nos ajuda a viver em alegria, com uma atitude positiva com relação à vida.

Por ser uma resposta de quem Deus é e às bênçãos que temos nEle e não às nossas circunstâncias, a alegria pode florescer até mesmo nas horas de dor e sofrimento. “Gloriamo-nos nas tribulações.”[16] Não é fácil se regozijar na hora da dor. Na verdade, em geral, não é sequer natural viver cheio de alegria e se regozijando constantemente. Contudo, as Escrituras nos dizem: “Regozijai-vos sempre.”[17]

Apesar de muitos desejarem cultivar um espírito alegre, não é algo que depende exclusivamente do esforço pessoal. Como a alegria é um fruto do Espírito, cultivá-la requer que icemos nossas velas para que o vento do Espírito nos leve na direção da alegria. Uma maneira de içar velas é ler, absorver e praticar os ensinamentos da Bíblia. Pouco antes da Sua crucificação, Jesus disse aos discípulos: “Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor. Tenho-vos dito isto para que a Minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.”[18]

Quando as ondas, os ventos e as tempestades da vida se abatem sobre nós, podemos encontrar alegria na certeza de que “todas as coisas concorrem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.”[19] Encontramos conforto e fé para suportar e vencer as dificuldades, pois contamos com o cumprimento das promessas da Palavra de Deus.[20] Quando lemos a Bíblia, o Espírito de Deus usa as Escrituras para falar aos nossos corações, nos consolar e guiar, dando-nos assim fé e esperança, que são degraus para a alegria. Fazemos a nossa parte, permanecendo na Palavra de Deus, e o Espírito se move dentro de nós para nos dar alegria.

Confiar em Deus é a maneira de cultivar a alegria. A confiabilidade é parte de quem Deus é. É inerente à Sua natureza. Ao longo das Escrituras, somos exortados a acreditar nEle, ou seja, a depositar nEle nossa confiança, sabendo que nos ama e deseja o que é melhor para nós. “Em Ti confiarão os que conhecem o Teu nome, pois Tu, ó Senhor, nunca desamparaste os que Te buscam.”[21]

A confiança produz esperança, que, por sua vez, gera alegria. Aumentamos nossa alegria quando desenvolvemos a gratidão por qualquer situação em que nos encontramos. “Em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”[22]

Independentemente de nossas circunstâncias serem agradáveis ou desagradáveis, devemos estar agradecidos. Isso não quer dizer que devemos estar agradecidos pelas adversidades, mas em meio a quaisquer situações, boas ou ruins. As Escrituras nos ensinam a agradecer ao Senhor por estar operando em nossa atual situação, certos de que Ele não nos dará fardos além de nossa capacidade e de que Sua graça é suficiente para que consigamos carregá-los. Agradecer-Lhe e louvá-lO nos permite vivenciar a alegria, que é nossa herança em Cristo. “A alegria do Senhor é a vossa força.”[23]

Como vimos, a alegria do cristão está conectada e resulta da sua crença. A alegria nasce de ler, acreditar e praticar a Palavra de Deus; da presença do Espírito Santo em nós; e do sacrifício de Jesus por nós. A alegria cristã é uma vida ciente do amor e desvelo de Deus por nós, e, nos altos e baixos da vidas, mantemos a fé de que o Senhor está sempre conosco, confortando-nos e zelando por nós. Temos a alegria e nos regozijamos de que estamos sempre sob Seu cuidado amoroso.

Por sermos crentes, podemos nos regozijar e nos enchermos com Sua alegria — a alegria por nossos nomes estarem escritos no Céu, por estarmos cheios com o Espírito de Deus, por vivermos em comunhão e convivência com nosso Criador e por contarmos com a Sua presença em nossas vidas, independentemente das vicissitudes. Isso não significa que sempre estaremos felizes, mas podemos nos manter firmes na rocha da alegria, quaisquer que sejam as circunstâncias. Somos um povo remido e abençoado que permanecerá com Deus para sempre.

Publicado originalmente em março de 2017. Adaptado e republicado em janeiro de 2022.


[1] João 17:13; João 15:11. A menos que indicado o contrário, todas as referências às Escrituras foram extraídas da “Bíblia Sagrada” — Tradução de João Ferreira de Almeida — Edição Contemporânea.

[2] Romanos 14:17–18.

[3] Gálatas 5:22–23.

[4] R. P. Martin e P. H. Davids, eds., em Dictionary of the Later New Testament and Its Developments, edição eletrônica (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1997), 600–605.

[5] Lucas 10:17, e 20 ACF.

[6] Hebreus 12:2.

[7] Lucas 1:44.

[8] Lucas 2:10.

[9] Mateus 2:10.

[10] Atos 13:52.

[11] Romanos 15:13.

[12] Salmo 68:3.

[13] Provérbios 10:28.

[14] Lucas 24:52.

[15] 1 Pedro 1:3–5.

[16] Romanos 5:3.

[17] Filipenses 4:4.

[18] João 15:10–11.

[19] Romanos 8:28.

[20] Tiago 1:12.

[21] Salmo 9:10.

[22] 1 Tessalonicenses 5:18.

[23] Neemias 8:10.