Ensinar Valores às Crianças

Julho 15, 2014

Uma compilação

Quando penso na minha infância, imagens de amor, encorajamento e lembranças calorosas de família me veem à memória. Lembro as noites no colo de meu pai lendo para mim por horas. Não tenho dúvidas de que aquelas experiências inspiraram em mim amor pela leitura. Quatro décadas depois, ainda ouço as palavras de minha mãe: “Trate todo o mundo com gentileza, Michele,” no mesmo tom com que ela falava quando eu era jovem. Os valores dos quais meus pais foram modelos para mim—perseverança, compaixão, aceitação e acreditar em mim mesma—são os mesmos segundo os quais vivo hoje em dia. E são os mesmos valores que tento emular para meus próprios filhos. Não precisa haver uma pesquisa para provar a sua influência: no momento que vê sua criança imitando o seu comportamento, repetindo suas palavras, ou copiando seus valores deveria confirmar que você faz a diferença.

O bom senso nos diz que podemos influenciar de maneira significativa o rumo que a vida de uma criança toma. E por uma simples razão: as habilidades para se viver com sucesso são aprendidas, não herdadas. Podemos causar uma enorme diferença porque podemos ensinar essas habilidades aos nossos filhos e alunos. Saber lidar com os altos e baixos da vida, relacionar-se bem com os outros, determinar uma meta e não desistir até alcançá-la, saber encontrar soluções e resolver conflitos, comunicar-se de maneira assertiva, e fazer tudo isso com compaixão e empatia são habilidades que edificam um caráter sólido, uma mente forte e um coração compassivo, e essas habilidades podem ser ensinadas. Apesar de nosso amor e afeição não serem necessariamente o fator que torna nossos filhos mais autoconfiantes e amigáveis, podemos nutrir as habilidades que realçam as características para uma vida bem sucedida. E, apesar do temperamento inato de nossos filhos e sua constituição genética, você pode expandir o potencial deles ensinando-lhes a viver vidas mais bem sucedidas e gratificantes.—Michele Borba[1]

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A maneira como você vive—suas prioridades, como você passa seu tempo e gasta seu dinheiro, como trata as pessoas e suas posses—é o melhor indicador do que tem importância para você e que valores lhe são queridos. Acredite em mim, seus filhos leem a sua vida com muito mais clareza do que atentam para as suas palavras. Se ambos estiverem em harmonia, ótimo. Se não, é hora de reavaliar as coisas.

Ao tentar incutir bons valores em seus filhos, pergunte-se o seguinte:

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O que significa preparar nossos filhos para a vida? — Significa avaliar como ajudá-los a passar pelas fases naturais de crescimento e desenvolvimento, vendo e sabendo o que outras crianças e jovens estão fazendo ou enfrentando, e os preparando para a ocasião quando talvez passem pela mesma coisa. Significa ensinar-lhes firmeza diante de dificuldades, e como abordarem situações novas com confiança e responsabilidade. Traduz-se em ensinar seus filhos a discernir o certo do errado, integridade, autodisciplina, convicção, amor, tolerância e força de caráter. ...

Ensinar valores morais aos filhos é um desafio comum a todos os pais. Todos os pais que se preocupam com seus filhos, precisam lhes ensinar a ficar firmes em seus valores, convicções e crenças, mesmo diante de influências que não seriam toleradas no lar, mas que são simplesmente parte da vida quando eles frequentam escolas, têm amigos de famílias com uma fé ou padrão moral diferente, etc. Preparar os seus filhos significa, basicamente, ensinar-lhes a agir e se comportar fora do ambiente “seguro” do seu lar ou estrutura familiar, a saber reagir às circunstâncias com convicção moral e lidar com situações quando estão longe dos pais e diante das realidades do mundo. ...

As crianças de hoje enfrentam muitas influências, e terão muitas outras no decorrer de suas vidas. Algumas serão positivas, outras negativas, e muitas estarão em algum ponto intermediário. Se adotarem a mentalidade de prepará-los para a vida, será mais fácil aceitarem o fato de que não têm condições de protegê-los do contato com influências negativas, mas podem orientá-los para aprenderem a tomar as decisões certas quando isso acontecer.—Maria Fontaine[3]

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“A Palavra de Deus é viva e eficaz.”[4] Ela vive em nós, fala conosco e enche nossa vida de luz e entendimento. Quando tomamos a água viva da Palavra de Deus, ela começa a transformar nossos corações, mentes e vidas. Começamos a ver as coisas do ponto de vista de Deus, que geralmente é totalmente diferente da nossa maneira de pensar. Descobrimos coisas sobre nós mesmos e sobre os outros que não conseguiríamos de nenhuma outra forma.

Não diríamos a uma criança perdida em uma floresta para “encontrar o caminho”. Nunca pensaríamos em proibir nossos filhos de sair e brincar, de estar ao ar livre e fazer exercícios, de vesti-los ou alimentá-los. Nem deveríamos reter as palavras de vida deles—o poder, a luz e a vida de Deus. Jesus disse, “As palavras que eu vos digo são espírito e vida.”[5]

É através da Palavra de Deus que seus filhos vão aprender o que é certo e o que é errado, e é a Palavra de Deus que lhes dará um alicerce sólido no qual se agarrarem através de todos os testes e provações que enfrentarão. E à medida que crescerem, vão com certeza enfrentar muitos, porque a vida é um campo de provas onde devemos aprender a fazer as escolhas do lado do que é certo e bom, em vez de seguirmos o que é errado e prejudicial. Jovens como são, seus filhos logo se encontrarão engajados nesta batalha espiritual e começarão a fazer escolhas que podem afetar enormemente suas vidas e a vida de outros. Como pai ou mãe, você pode preparar os seus filhos melhor para essas escolhas difíceis dando-lhes Jesus, um alicerce de fé e o conhecimento da Palavra de Deus.—Derek e Michelle Brookes[6]

Publicado no Âncora em julho de 2014. Tradução Denise Oliveira. Revisão H.R.Flandoli.


[1] Parents Do Make a Difference (Jossey-Bass, 1999).

[2] Parenting in the Home Stretch (Revell, 2005).

[3] De https://anchor.tfionline.com/pt/post/proteger-versus-fortalecer/.

[4] Hebreus 4:12.

[5] João 6:63.

[6] Keys to Kids (Aurora Production, 2001).

 

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