Mais como Jesus — Parte 2

Outubro 19, 2026

Por Peter Amsterdam

[More Like Jesus—Part 2]

O artigo anterior sobre este tema (“Mais como Jesus — Parte 1”) abordou o conceito de uma vida piedosa e semelhante à de Cristo, conforme apresentado no Antigo Testamento e nos Evangelhos. Nesta parte, o foco será a semelhança com Cristo conforme expressa nas Epístolas.1

A igreja primitiva compreendeu que o Deus de Israel, que estabelece alianças, havia agido em favor da humanidade por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus. O plano de Deus, anunciado no Antigo Testamento, estava se concretizando. Seu propósito era chamar, dentre todas as nações, um povo que Lhe pertencesse, participasse da nova aliança e vivesse à luz de Seu glorioso ato de salvação.

Por meio da salvação, os que estão “em Cristo” são transformados: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas!” (2 Coríntios 5:17). Como novas criaturas em Cristo, um de nossos objetivos é viver de acordo com essa realidade, tornando-nos semelhantes a Ele. “Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus” (Efésios 5:1–2).

O apóstolo Paulo exortou as igrejas que fundou a imitá-lo, assim como ele imitava a Cristo. “Sejam meus imitadores, como também sou imitador de Cristo” (1 Coríntios 11:1). “Portanto, suplico que se tornem meus imitadores. Por essa razão, estou enviando a vocês Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor, o qual trará à lembrança de vocês a minha maneira de viver em Cristo Jesus” (1 Coríntios 4:16–17).

Paulo ensinou que devemos ter as mesmas atitudes de Cristo: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos, cuidando, cada um, não somente dos próprios interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja o modo de pensar de vocês o mesmo de Cristo Jesus, que, apesar de ser Deus, não considerou que a sua igualdade com Deus era algo que deveria ser usado como vantagem; antes, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:3–7).

Ser semelhante a Cristo implica manifestar Seu caráter, o que se torna possível pelo fruto do Espírito Santo em nós. Vemos esse fruto — amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio — exemplificado na vida de Jesus (Gálatas 5:22–23).

Manifestar o caráter de Cristo não ocorre sem conflitos interiores. A salvação não põe fim à tendência de pecar nem refreia automaticamente nossa inclinação ao pecado. Por isso, somos instruídos a nos “despir” de certos aspectos da nossa vida e a nos “revestir” da semelhança com Cristo.

“Quanto à antiga maneira de viver, dispam-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, para serem renovados no modo de pensar e se vestirem do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade provenientes da verdade” (Efésios 4:22–24).

“Não mintam uns aos outros, uma vez que vocês já se despiram do velho homem com as suas práticas e se vestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento à imagem do seu Criador” (Colossenses 3:9–10).

“Portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor os perdoou. Sobre todas essas coisas, porém, vistam-se do amor, que é o elo perfeito” (Colossenses 3:12–14).

O autor Stanley Grenz escreveu:

Os cristãos precisam se “despir” de uma realidade e se “vestir” de outra: despir-se da carne e vestir-se do espírito. Despir-se da velha vida e vestir-se da nova. Despir-se das obras da carne e vestir-se do Senhor Jesus Cristo. Despir-se das obras das trevas e vestir-se das obras da luz. Dessa maneira expressiva, Paulo caracterizou a ética cristã como o abandono da velha vida para viver de uma nova maneira.2

É claro que despir-se e vestir-se, passando a viver de uma nova maneira, não é algo que acontece naturalmente; exige empenho e autodisciplina. O apóstolo Paulo falou disso como um exercício: “Nutrido com as verdades da fé e da boa doutrina […] Exercite-se na piedade.” “Busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a humildade” (1 Timóteo 4:6–7; 6:11).

Tornar-se semelhante a Cristo exige esforço e autodisciplina. Exige a decisão consciente de “se despir” e de “se vestir”, fazendo o necessário para alinhar nossas atitudes interiores ao Espírito, à Palavra e à vontade de Deus. Exige compromisso com o crescimento espiritual, que resulta em transformação interior e nos permite ter uma vida mais centrada em Deus e mais semelhante à de Cristo. A disposição para esse esforço e essa autodisciplina nasce do nosso amor por Jesus e da gratidão pelo sacrifício que Ele fez por nós. Combatemos o bom combate da fé e buscamos a justiça, a piedade, a fé e o amor porque nos dedicamos a Deus, que nos reconciliou consigo em Cristo.

Por sermos eternamente gratos pelo amor e pela compaixão de Deus, desejamos viver de maneira “digna” — digna do chamado que recebemos (Efésios 4:1), digna de Deus, que nos chamou (1 Tessalonicenses 2:12), digna do Senhor (Colossenses 1:10) e digna do Evangelho de Cristo (Filipenses 1:27).

É claro que não somos capazes de viver de maneira digna e centrada em Cristo por nossas próprias forças; o poder para isso vem do Espírito Santo. Grenz escreveu: “O mesmo Espírito que habita nos cristãos e medeia a salvação por meio da união deles com Cristo também lhes concede o poder divino necessário para a vida cristã. O Espírito que habita em nós nos capacita a viver em um novo plano de existência”.3

O Espírito Santo é o caminho para termos a mente de Cristo, pois “quem vive de acordo com o Espírito aspira ao que o Espírito deseja” (Romanos 8:5). Por meio do Espírito Santo, passamos uma transformação moral ao sermos transformados à imagem de Cristo. “Assim, todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, estamos sendo transformados segundo a sua imagem com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2 Coríntios 3:18).

A presença do Espírito Santo em nós nos capacita a viver uma vida transformada. Esse poder, somado à nossa gratidão e ao nosso amor por Deus, ao desejo de imitar Jesus e ao compromisso pessoal de empregar o esforço e a autodisciplina necessários, torna possível sermos mais como Jesus.

Vimos que o Antigo Testamento, os Evangelhos e as Epístolas falam de viver de uma maneira que reflita Deus no mundo. Somos chamados a ser santos, amorosos, bondosos, misericordiosos, compassivos e humildes — qualidades que refletem aspectos da natureza e do caráter de Deus. Como demonstram as Escrituras, espera-se que nós, como povo de Deus, conduzidos a um relacionamento com Ele por meio do sacrifício de Seu Filho, desejemos viver em harmonia com o que Ele revelou em Sua Palavra sobre Si mesmo e Sua vontade.

Publicado originalmente em janeiro de 2016. Adaptado e republicado em outubro de 2026.


1 Os conceitos deste artigo se baseiam no livro The Moral Quest, de Stanley J. Grenz (IVP Academic, 1997).

2 Grenz, The Moral Quest, 122.

3 Grenz, 127.

Copyright © 2026 The Family International