Julho 14, 2026
[Freely Received, Freely Given]
Jesus enviou os Doze com as seguintes instruções: ... Por onde forem, preguem esta mensagem: “O Reino dos céus está próximo”. Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem demônios. Vocês receberam de graça; deem também de graça.”—Mateus 10:5-8
Imagine-se diante de um grande campo de batalha, mas, em vez de armas, você recebe palavras que dão vida, mãos para curar e um coração cheio de compaixão. Essa é a cena que encontramos quando Jesus comissiona Seus discípulos em Mateus 10. Eles não eram soldados treinados nem líderes influentes, apenas pessoas comuns que receberam uma missão extraordinária: proclamar que o Reino dos céus está próximo.
Mas o que isso significa? O Reino dos céus não é uma realidade distante, nem um conceito reservado apenas para os teólogos. É o domínio e o governo de Deus irrompendo em nosso mundo, transformando vidas e oferecendo esperança a uma humanidade ferida. Jesus enviou Seus discípulos não apenas para falar sobre o Reino, mas também para demonstrar o poder desse Reino. Eles foram incumbidos de curar os enfermos, purificar os leprosos, ressuscitar os mortos e expulsar demônios.
Essa missão não se fundamentava nas habilidades deles, mas na autoridade e na graça de Deus operando por meio deles. Observemos a frase-chave: “Vocês receberam de graça; deem também de graça”. Tudo o que foram chamados a fazer tinha como fundamento o generoso dom do poder e do amor de Deus.
Trazendo essa cena para os dias de hoje, vemos que recebemos essa mesma comissão. O mundo continua precisando de cura, restauração e da proclamação da esperança. As pessoas estão doentes —física, emocional e espiritualmente. Os marginalizados anseiam por encontrar um lugar ao qual pertençam. Muitas estão mortas espiritualmente, e as forças das trevas ainda buscam escravizá-las. O chamado à ação é tão urgente hoje quanto foi para os primeiros discípulos.
A missão do Evangelho é urgente, transformadora e generosa. Por sermos seguidores de Cristo, somos chamados a proclamar o Reino, servir com compaixão e dar livremente daquilo que recebemos. —Mark T. Watson1
Nosso Deus generoso
O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus. —Filipenses 4:19
Deus não apenas nos ama; Ele derrama abundantemente Seu amor sobre nós (1 João 3:1). Ele não distribui sabedoria em pequenas doses; Ele “a todos dá generosamente sem reprovar ninguém” (Tiago 1:5). Ele é rico em “bondade, tolerância e paciência” (Romanos 2:4). A graça de nosso Senhor “transbordou” (1 Timóteo 1:14) e Seu dom é “indescritível” (2 Coríntios 9:14-15).
Ele fez transbordar de comida a mesa do filho pródigo, encheu de vinho as talhas nas bodas e, por duas vezes, encheu de peixes o barco de Pedro. Ele curou todos os que buscavam cura, ensinou todos os que queriam aprender e salvou todos os que aceitaram o dom da salvação.
Deus é “Aquele que supre a semente ao que semeia e o pão ao que come” (2 Coríntios 9:10). O verbo grego traduzido como “supre” (epichoregeo) abre a cortina para compreendermos a generosidade de Deus. Ele combina “dança” (choros) com o verbo “conduzir” (hegeomai). Significa literalmente “conduzir uma dança”. Quando Deus dá, Ele dança de alegria. Ele faz a banda tocar e lidera o desfile da generosidade. Deus ama dar.
Ele não distribui Sua bondade com um conta-gotas, mas com um hidrante. Seu coração é um copinho descartável, e a graça de Deus é o Mar Mediterrâneo! Você simplesmente não consegue conter tudo isso. Portanto, deixe transbordar. Derrame. Faça fluir. “Vocês receberam de graça; deem também de graça” (Mateus 10:8 ). —Max Lucado
A oferta da viúva
Jesus e Seus discípulos estavam no templo, observando as pessoas depositarem suas ofertas no gazofilácio. Um homem rico aproximou-se, procurando chamar a atenção para a considerável quantia que estava dando. Depois dele, veio uma viúva. Tão depressa quanto pôde, ela depositou duas pequeninas moedas de cobre, a menor denominação que poderia ter oferecido. Depois que Jesus e os discípulos testemunharam aquela humilde oferta, Jesus lhes disse, para surpresa deles, que ela havia dado mais do que todos os outros, pois, em sua pobreza, dera tudo o que possuía para viver (Lucas 21:1-4).
Eu me coloco no lugar da viúva e imagino que ela não sentia muito orgulho da sua oferta. Ela sabia o que se podia ou não comprar com duas moedas de cobre, mas não disse a si mesma que aquilo era pouco demais para fazer diferença.
A Bíblia não nos diz mais nada sobre essa viúva, mas é razoável concluir que, se ela tivesse mais dinheiro, seria generosa com ele. É isso que acontece quando procuramos viver generosamente: sempre podemos nos perguntar: “O que posso dar ou compartilhar? O que tenho de que alguém ao meu redor precisa?”
Quando olho ao redor, vejo necessidades enormes. É fácil se perguntar se o pouco que podemos dar fará a diferença. Mas, em vez de inventar desculpas para mim mesma, gosto de ter um plano para garantir que estamos doando regulamente. Aqui está o que fazemos:
Quer estejamos dando da nossa abundância, quer da nossa escassez, sempre podemos dar alguma coisa para abençoar os outros. Como Jesus disse: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35). “Vocês receberam de graça; deem também de graça” (Mateus 10:8 ). —Marie Alvero
Generosidade que transforma vidas
Quando ouvimos as palavras “dar” e “generosidade”, geralmente pensamos em doações financeiras. No entanto, temos muito mais a oferecer do que dinheiro. Podemos, por exemplo, usar nossa influência para ajudar alguém a obter uma oportunidade que, de outra forma, não teria.
Em 1792, em um dia frio de dezembro, em Salzburgo, na Áustria, uma bordadeira solteira deu à luz seu terceiro filho, um menino que recebeu o nome de Joseph Mohr. O pai da criança abandonou a mãe assim que soube da gravidez. A mãe, que já vivia com poucos recursos, ainda foi multada em um valor equivalente a um ano de salário por ter concebido um filho fora do casamento.
Sem a presença do pai e com uma mãe empobrecida, as perspectivas de vida de Joseph eram sombrias, especialmente por viverem no final do século 18. Os chamados filhos “ilegítimos” enfrentavam forte estigma social. Com frequência, eram impedidos de aprender um ofício e privados de oportunidades educacionais.
Um lugar onde Joseph se sentia aceito era na igreja, onde ele cantava no coral. O vigário da catedral, Johan Nepomuk Hiernle, percebeu o talento musical do menino e interveio em seu favor para que ele pudesse estudar. Joseph se saiu bem nos estudos e se destacou na música, aprendendo a tocar violão, violino e órgão.
Mais tarde, Joseph decidiu ingressar no seminário, mas seus planos foram impedidos, pois sua condição de filho nascido fora do casamento não lhe permitia estudar para o sacerdócio. Mais uma vez, Hiernle intercedeu em seu favor e conseguiu uma autorização especial para que o jovem pudesse frequentar o seminário. Após concluir os estudos, Joseph foi ordenado e nomeado sacerdote de uma pequena paróquia em Oberndorf.
Em seu segundo ano naquela igreja, Joseph se apressou para organizar uma apresentação musical para a missa de Natal. Joseph havia escrito um poema e o mostrou a um amigo, a quem pediu que compusesse uma melodia. O amigo concordou e, juntos, apresentaram a canção “Noite Feliz” à congregação naquela noite de Natal. Quase duzentos anos depois, a canção continua sendo uma das favoritas do Natal, tanto nas igrejas quanto entre os grupos que cantam músicas natalinas.
Se não fosse por um vigário bondoso, que generosamente usou suas conexões para ajudar um menino sem pai e socialmente desfavorecido, a canção “Noite Feliz” provavelmente nunca teria sido escrita nem cantada. —The John Maxwell Company2
Vida abençoada
Os dons de Deus vêm em todos os tipos de embalagem — muitos são visíveis, mas a maioria não. Alguns chegam como necessidades materiais básicas, como roupas e alimentos; outros, como tesouros espirituais intangíveis, como o amor e a verdade. Quando ainda somos bebês, recebemos presentes de aniversário extraordinários, desde a visão até a capacidade de nos mover. A lista dos dons de Deus é inesgotável. Tiago 1:17 nos diz que toda boa dádiva que possuímos veio de Deus, como se tivesse sido entregue especialmente por Ele.
Em Mateus 10, lemos que Jesus enviou os discípulos para pregar o evangelho. Ele disse: “Por onde forem, preguem esta mensagem: ‘O reino dos céus está próximo’ […] Vocês receberam de graça; deem também de graça (Mateus 10:1-8).
No versículo 8, vemos um princípio bíblico fundamental para uma vida abençoada. Tudo o que Deus nos deu será usado para Sua glória quando o devolvermos livremente a Ele, empregando-o em benefício dos outros. Assim como aos primeiros discípulos, Deus nos confiou a mensagem do evangelho para compartilharmos. Ao fazermos isso, temos autoridade para ser instrumentos de cura e bênção todos os dias. O Espírito de Deus habita em nós. Ele é perfeito amor, alegria, paz, paciência e amabilidade. Recebemos essas bênçãos de graça e devemos dá-las também de graça.
Quais dons Deus lhe deu? Pergunte a Ele como, onde e a quem você pode oferecê-los livremente. Ao usá-los para servir aos outros, você experimentará a vida abençoada. —NewSpring Church3
Publicado no site Âncora em julho de 2026.
1 Mark T. Watson, "Freely Give: Living the Gospel with Power and Compassion," sermons.logos.com, https://sermons.logos.com/sermons/1419166-freely-give:-living-the-gospel-with-power-and-compassion.
2 The John Maxwell Company, Generosity: It Doesn’t Cost a Penny to Pay It Forward (30 de dezembro de 2013).
3 NewSpring Church, “Freely You Have Received, Freely Give,” newspring.cc, https://newspring.cc/devotionals/the-blessed-life/freely-you-have-received-freely-give.
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