Janeiro 27, 2026
[Following God’s Lead]
Como a maioria, das pessoas, gosto da previsibilidade. Mudanças podem significar pisar em território desconhecido, afastar de uma rotina confortável e isso me preocupa. Outra consequência possível é a perda de um certo controle, o que também me inquieta. Por mais melhores que sejam os preparativos para a mudança, tipicamente não posso controlar todos dos muitos fatores envolvidos. Na verdade, nem seria saudável tentar.
“As mudanças sempre chegam trazendo presentes” — escreveu Price Pritchett. Mas com certeza todos já nos perguntamos, em algum momento, se eles valem a pena, ou se não seria melhor — ou pelo menos mais fácil — recusar essa generosidade que vem acompanhada do desconforto da transição. O fato, porém, é que nem sempre temos escolha, pois as reviravoltas da vida não costumam pedir licença.
A vida me ensinou muitas vezes, e em algumas aprendi, que enfrentar as mudanças com Deus é melhor do que sozinho. Ele sabe todas as coisas, inclusive o futuro. Pode nos preparar de maneiras que não seríamos capazes por conta própria e faz com que tudo contribua para o nosso bem (Romanos 8:28). Ele nunca é pego de surpresa pela curva na estrada ou pelos imprevistos. É perfeitamente capaz de nos guiar e nos preparar para o que vier pela frente, mesmo que não reconheçamos que isso está acontecendo.
Deus está no controle. A certeza de que nosso Criador, Aquele que cumprirá Seu propósito em nossas vidas, está ao nosso lado, pode ser a dose de confiança que precisamos para enfrentar qualquer coisa que encontrarmos pelo caminho (Salmo 138:8). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31).
Talvez uma das descobertas mais importantes que Deus nos ajuda a fazer em tempos de mudança seja Seu amor incondicional. Quando a transição é difícil, assustadora, ou até dolorosa, Ele permanece ao nosso lado. Seu amor nunca oscila, e tudo o que Ele quer é o melhor para nós. Apesar de passarmos por inúmeras mudanças e experiências que formam nosso caráter, Deus permanece constante, solidário e sempre confiável. É nosso melhor amigo... e isso não vai mudar: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hebreus 13:8).—Ronan Keane
No verão passado, nossa van pifou. Sério. Ninguém esperava. No auge da estação, em horário de pico e eu dirigia completamente perdida pela cidade. No meio do congestionamento, o condicionador de ar parou de funcionar. Achando que era apenas falta de sorte estar presa no trânsito e ter problemas com o equipamento, reagi como de costume diante de um problema: segui em frente com as minhas atividades.
Finalmente o GPS funcionou e cheguei ao meu destino, onde peguei meus filhos. Seguindo viagem com as janelas abertas, quando estávamos quase chegando em casa, ouvi um barulho estranho, daqueles que até quem não entende nada de mecânica sabe que é sinal de problema. Já tinha escurecido e ainda estávamos em uma estrada rural. Segui em frente na direção de um posto de gasolina a uns 3 Km dali. Nossa chegada foi anunciada pela fumaça de óleo queimado que vinha do nosso carro.
Em questão de minutos, vários homens já tinham notado a “donzela em apuros” se aproximado. Em instantes deram o diagnóstico: radiador sem fluído, motor superaquecido e, muito provavelmente, fundido.
Um deles então me mostrou no painel o termômetro que indica a temperatura da água de arrefecimento do motor. O ponteiro estava lá no fundo, indicando o superaquecimento. Naquela noite, aprendi que o termômetro havia indicado o problema muito antes de eu decidir seguir em frente com o motor quente por mais 100 Km, em pleno verão texano.
Se eu tivesse prestado atenção aos avisos no painel e conferido o termômetro, teria percebido que algo estava errado. Se tivesse olhado para o indicador, teria reparado que o motor estava esquentando demais. Então, teria encostado e aprendido a colocar água e aditivo no radiador. Só isso já teria poupado todos os problemas no carro. Quem me dera ter feito tudo isso!
Aprendi uma lição importante que pode ser aplicada à vida. Deus colocou em cada um de nós “termômetros” que sinalizam nossas necessidades físicas, mentais, emocionais e espirituais. Quando começamos a nos sentir cansados ou esgotados, devemos parar para reabastecer nosso espírito em comunhão com Deus e Sua Palavra.
Às vezes é difícil resistir à vontade de “seguir em frente”, mas, ao fazer isso, ignoramos os avisos de perigo. Jesus entendia essa tendência humana e nos ensinou a administrar situações de estresse: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).
Segundo Jesus, nem sempre devemos sentir que precisamos estar no controle e simplesmente “seguir em frente”. Quando estamos sobrecarregados (basicamente cansados, desgastados, estressados e nos sentindo impotentes), devemos ir até Ele, que nos dará descanso.
Aprender a estar atento aos nossos termômetros e indicadores nos colocará em sintonia com o que nosso corpo, mente e espírito precisam para viver e prosperar. Tempo de comunhão com Deus, buscando Sua orientação, nos capacitará a enfrentar o que surgir durante o dia. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33).—Mara Hodler [J1T: Gauges and Indicators (July 30, 2014)]
Uma das questões centrais sobre a qual filósofos e teólogos debatem há milênios está relacionada ao mistério em torno do que dá sentido à vida. Todos querem ser felizes e se sentir realizados, mas como podemos dizer o que é e de onde vem a verdadeira felicidade?
Os gregos da Antiguidade acreditavam que a fonte da felicidade fosse interior e alimentada por um viver digno. Chamavam esse estado eudaimonia, descrito por Aristóteles como a participação em atividades que exercitam nossos talentos e desafiam nossas habilidades, beneficiam os outros e são guiadas por princípios e virtudes. Não basta simplesmente ter uma habilidade ou disposição; a eudaimonia deve se materializar em ações.
Em sua carta aos cristãos de Éfeso, Paulo os exorta a viverem de maneira digna da vocação que receberam (Efésios 4:1). Esclareceu que para isso deveriam ser humildes, corteses, pacientes, tolerantes, amorosos e viver em paz uns com os outros (Efésios 4:2-3).
Apesar de reconhecermos o valor de uma vida virtuosa orientada por princípios, nossa natureza imperfeita muitas vezes nos impede de viver assim apenas pelos nossos esforços. Os crentes, entretanto, podem se valer do poder de Deus para transcender essas limitações. “É Deus que me reveste de força e torna perfeito o meu caminho” (Salmo 18:32).
Salomão, considerado por muitos o maior sábio de todos os tempos, também reconheceu a futilidade da de uma vida centrada no próprio indivíduo e orientada pelos valores deste mundo. No final de sua busca por sentido e felicidade chegou a um entendimento com o qual encerra o Livro de Eclesiastes: “Teme a Deus e guarda os seus mandamentos, pois esse é o dever de todo homem”(Eclesiastes 12:13 ARC).
Quanto mais aprendermos a dar prioridade a Deus e ao bem-estar dos outros em nossos pensamentos e ações, mais sentido e propósito nossas vidas terão.—Ronan Keane [Activated, March 2014: Finding Meaning]
Publicado no Âncora em janeiro de 2026.
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