Fazer o Melhor

Maio 19, 2022

John Lincoln Brandt

[Doing Our Best]

“Ela fez o que podia.”[1]

Jesus falou estas palavras em defesa de Maria, que O ungiu com óleo de nardo. Depois de passar o dia na grande cidade de Jerusalém envolvido em acalorados debates políticos, retirou-Se para Betânia, onde poderia Se engajar em uma conversa tranquila no final do dia. Ele não Se sentia seguro para passar a noite na metrópole.

O incidente relatado no texto ocorreu na casa de Simão, possivelmente o homem a quem Jesus curou da lepra. Estavam presentes também Lázaro, a quem Jesus ressuscitou dos mortos; Marta, a agitada e sempre ocupada dona de casa e Maria, que adorava ficar sentada aos pés de Jesus e ouvir Suas palavras. Além deles, também estavam aqueles a quem Jesus chamou para serem apóstolos.

Jesus estava reclinado à mesa quando Maria entrou silenciosamente, abriu o frasco e derramou o unguento na cabeça dEle, perfumando toda a casa onde o pequeno grupo estava reunido. Judas a criticou, dizendo: “Por que este desperdício de perfume? Poderia ter sido vendido por trezentos denários e dado aos pobres.” Mas Jesus disse: “Deixem-na em paz. Por que a estão perturbando? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, e poderão ajudá-los sempre que o desejarem. Ela fez o que pôde. Derramou o perfume em meu corpo antecipadamente, preparando-o para o sepultamento”.[2]

Maria agiu apropriadamente, ungindo o corpo de Jesus antecipadamente antes de Ele morrer. É costume espalhar flores no caixão do defunto, mas é muito melhor expressar e manifestar nosso amor por meio de palavras e atos de bondade antes que a mão fria da morte leve os que nos são queridos para onde jamais sentirão nossa gratidão e amor!

Maria foi generosa: o perfume que ela usou era caro. Agiu publicamente: na frente de todos, não teve vergonha de confessar Cristo. Não agiu às escondidas, mas diante de seus amigos e dos apóstolos de Jesus, sem se importar com quem a visse fazer aquilo. Ela amava o Senhor e expressava esse amor abertamente. Feliz o cristão que não se envergonha de confessar Jesus diante dos homens! Este, Jesus também o confessará diante de seu Pai no céu.

Foi um ato de amor e uma linda oferta, possivelmente envolvendo diferentes sentimentos. -- Gratidão pela ressurreição de Lázaro; veneração ao caráter de Jesus; reconhecimento dEle como o Caminho, a Verdade e a Vida; veneração a Ele como o Senhor da Vida e da Morte. Mas o motivo principal deve ter sido o seu desejo de expressar seu amor e honrar Aquele que estava prestes a morrer. …

Todo cristão que ama a Jesus tão intensamente e tem paixão por servir a Ele, jamais encontrará um presente que possa expressar plenamente seu profundo amor e veneração pelo Senhor. Judas, o crítico de carteirinha, via tudo sob a ótica financeira. Existe hoje muita gente como ele, pessoas sempre prontas para criticar e dizer: “Por que este desperdício; por que gastar dinheiro com isto, não vai servir de nada”. Desperdício é deixar de fazer o melhor que podemos no serviço ao nosso Mestre. Quem serve deve servir no máximo da sua capacidade. Quem dá deve dar com a maior liberalidade.

Quando o dever nos chama, devemos estar prontos e dispostos a atender, independentemente do que outros digam. Os maiores heróis do mundo foram duramente criticados. Participe de todo o coração na obra de salvar almas; quebre seu vaso de alabastro com perfume de nardo em homenagem a Jesus. Se as pessoas criticarem, lembre-se do exemplo de Maria e do que Jesus disse: “Bem-aventurados sois vós quando... disserem todo o mal contra vós”.

Alguns discípulos pedem para ser dispensados do serviço ativo na vindima do Mestre porque não têm condições de fazer muita coisa. Dizem: “Sou limitado pela minha situação. Minhas fraquezas me impedem. Minha insignificância me constrange. Minha timidez me dá medo e, não sou muito talentoso. Agora, se eu conseguisse converter os escribas e fariseus; se eu pudesse converter uma cidade para a fé no Senhor; se eu pudesse fundar uma igreja, doar para uma faculdade ou sustentar um orfanato, então valeria a pena e eu participaria do serviço a Deus com um zelo e entusiasmo de dar inveja”.

Mas aprendemos com esta passagem que nenhuma posição na vida, por mais simples que seja; nenhuma condição, por mais humilde que seja, nos impede de fazer algo para o Senhor.

Maria não foi julgada por nenhum empreendimento ostentoso, por projetos públicos de caridade ou fama literária, nem por alguma apresentação de grande relevância, mas apenas pelo fato de ter feito tudo o que podia. … Mesmo que tenha o valor de um centavo, se for feito com o máximo da abnegação, equivale a milhões. Jesus reconheceu dessa forma quando a viúva lançou duas moedinhas no gazofilácio e Ele disse que ela deu mais do que aqueles que “deram da sua abundância”, pois ela deu tudo o que tinha. E ainda uma outra mulher, mais pobre e frágil, que Lhe deu apenas suas lágrimas e massageou Seus pés.

Jesus reconheceu a boa vontade e as condições do doador. Ele não fez distinção em termos de pesos e medidas, com base em tabelas de valor, realização pública e padrões de honra instituídos pelos homens. Cristo é o juiz, e Ele afirma: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Maria não podia escrever como o amado apóstolo João. Ela não podia derrubar as fortalezas de Satanás como o apóstolo Pedro ou fundar igrejas como Paulo. Mas, em sua humilde posição, ela fez o melhor que podia, e é isso que os deficientes físicos reclusos, os homens e mulheres pobres e humildes podem fazer no mundo todo.

Maria fez o melhor que podia. Todos podem fazer isso. Deus está presente nas pequenas oportunidades e atividades, tanto quanto onde existe grande poder, abundância de talentos e oportunidades ilimitadas.

Maria não pensou em como o seu ato afetaria sua posição social. Ela seguiu o exemplo de Cristo, cuja glória abriu caminho e derrubou todas as barreiras sociais, o que fez dEle um novo homem, que não fazia distinção entre ricos ou pobres, poderosos ou humildes. Ele não faz acepção de pessoas.

“Qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, este é meu irmão. O pecador é Meu amigo; o publicano é Meu paciente; o perdido que é encontrado é do Meu aprisco; e aquele que estava morto é Meu filho.” Devemos imitar o exemplo de Maria como ela imitou o exemplo de Jesus. Devemos manifestar um interesse mais profundo pelos menos favorecidos no Reino dos céus.

Nós devemos almejar honrar a todos e a felicidade de todos. Devemos planejar e criar métodos para ajudar o homem, a mulher e a criança desalentados reconhecerem que Cristo está agindo através deles. Devemos acabar com todas as classificações artificiais criadas pelo ser humano. Devemos colocar o Senhor no meio de um círculo celestial que rodeia e acolhe todos aqueles que fazem a Sua vontade.

Eu me dirijo a todos que estão sentados aos pés de Jesus e embebendo o Seu espírito: Você quebrou o vaso de alabastro do melhor que tem na sua vida para ungir a cabeça de Jesus, para salvar almas e para a glória do seu Deus? Você tem usado seus recursos ao máximo e esvaziado suas reservas, como fez Maria, para poder dar ao Mestre o maior e melhor presente?

Se não teve condições de fazer grandes obras, tem pelo menos feito pequenos atos de bondade e as pequenas ações de devoção para seu Mestre? Deus promete nos ajudar a fazer mais assim que nos dispusermos a fazer algo.

John Lincoln Brandt (1860–1946) foi o pai de Virginia Brandt Berg. Trechos de Soul Saving Revival Sermons.


[1] Marcos 14:8.

[2] Marcos 14:3–8; João 12:3–8.

 

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